A editora

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Nasci no Recife, capital de Pernambuco, um dos 26 Estados do Brasil. Sou jornalista diplomada, amante da vida e de tudo que é positivo, verdadeiro e autêntico. Deixei as águas do Capibaribe, o mais famoso rio que banha o Recife. Atravessei o Oceano Atlântico e desaguei no rio Tejo, que acalenta Lisboa. E para aproximar esses dois lugares tão distantes mas com fortes ligações históricas e culturais, dei início a construção desta "ponte" Pernambuco-Portugal.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Alguns pratos típicos das Províncias (regiões) de Portugal/ Rota de sabores portugueses


Por Maria do Céu Carvalho Dias

Como já referi num texto anterior, Portugal é pequenino, mas apresenta variedades alimentares interessantes. Por pedido de um comentador (Fernando Nascimento), vou fazer uma lista de pratos relativa a cada província. Mais uma vez vão ficar de fora as deliciosas sobremesas. Baseei-me no livro de Maria de Lurdes Modesto já referido anteriormente. A descrição é acompanhada de um mapa de Portugal:

- Entre Douro e Minho (1,2) – Caldo Verde. Bacalhau assado na brasa, no forno, à lagareiro, à Zé do Pipo; Lampreia (só no inverno) à moda do Minho, à bordalesa, arroz de lampreia; Pescada à poveiro. Cozido; Rojões à moda do Minho; Cabidela de miúdos; Tripas à moda do Porto; Sarrabulho (bocadinhos de porco, fígado, tripas guisado com o sangue e arroz).

- Trás-os-Montes e Alto Douro (3) – Sopa de alheiras. Trutas; Cabidela de galinha (feita com o sangue da galinha); Perdiz com molho vilão; Cabrito assado; Cozido à portuguesa; Alheiras; Carne de porco com castanhas; Feijoada à transmontana; Bucho de porco com arroz.

- Beira Litoral (4) – Sopa seca. Caldeirada de enguias; Bacalhau assado com broa; Sardinhas na telha; Arroz de polvo. Leitão (porco pequenino) assado à moda da Bairrada; Orelheira com feijão branco; Chanfana (com carneiro ou cabrito) à moda de Coimbra.

- Beira Alta (5) – Carolos (sopa de milho, toucinho e chouriço). Lampreia; Trutas; Bacalhau assado com batatas a murro. Arroz de carqueja (arbusto da Serra); Coelho à capitão-mor; Leitão à moda da Beira Alta; Cabrito assado; Morcelas da Guarda.

- Beira Baixa (6) – Pastéis (com recheio de carne) de molho da Covilhã. Bacalhau no forno; Trutas de escabeche (molho de vinagre). Perdizes fritas; Panela do forno (arroz de carnes e enchidos variados); Cabrito ou borrego (cordeiro, filho da ovelha) assado.

- Ribatejo (7) – Sopa da Pedra (contém tudo menos pedra). Açorda de sável; Caldeirada à fragateira (essencialmente com peixe do rio); Sável ou Fataça na telha. Cabrito assado ou frito; Chispe com feijão branco; Favas com chouriço.

- Estremadura (8) – É uma região de Portugal onde impera uma grande variedade de Petiscos: Caracóis, Ovos verdes, Pataniscas de bacalhau, Peixinhos da horta (fritos de feijão verde), Salada de feijão-frade, ou pequeno, ou verde, etc., etc. Caldeirada de peixe; Sopa rica de peixes; Amêijoas à Bulhão Pato; Lagosta suada; Santola ou Sapateira recheada; Bacalhau à Brás; Sardinhas assadas na brasa; Açorda de marisco. Coelho à caçador; Frango na púcara; Bifes de cebolada; Cozido à portuguesa; Feijoada à portuguesa; Ervilhas ou Favas com ovos escalfados. Enchidos: morcelas, farinheiras, chouriços ou linguiças.

- Alentejo, Alto e Baixo (9) – Sopas frias: Gaspacho à alentejana; Gaspacho (com tomate); Açorda à alentejana; Sopa de tomate. Bacalhau albardado. Migas à alentejana; Coelho em vinho-d’alho; Empadas de galinha; Cabrito assado; Ensopado de borrego (cordeiro aos bocados, temperado com sal, pimentão doce e coentros, cozido em bastante água com batatas, cebolas. Come-se colocando-o por cima de fatias de pão); Lombo de porco com amêijoas; Pezinhos de porco de coentrada; Sarapatel (de cabrito ou borrego), Enchidos variados e deliciosos.

- Algarve (10) – Petiscos: Amêijoas na cataplana, Azeitonas de sal, Choquinhos com tinta. Sopa de cabeça de peixe; Sopa de pão com tomate. Papas de milho com sardinha ou com torresmos. Caldeirada; Bifes de atum; Lulas recheadas; Arroz de polvo; Cozido de grão; Favas à algarvia.

- A umas duas horas de avião ficam as ilhas portuguesas, Madeira e Açores que, para além de paisagens lindíssimas, têm também uma alimentação que vale a pena experimentar. Madeira: Sopa de Moganga (abóbora); Açorda madeirense; Inhame cozido; Milho cozido ou frito. Atum assado ou de escabeche; Bifes de atum; Espada de vinha-d’alhos (peixe espada preto). Carne de vinha-d’alhos; Espetada de carnes. Frutas variadas. Açores: Sopa azeda; Sopa do Espírito Santo (tem muita carne, legumes, pão). Garoupa recheada; Arroz de lapas; Polvo guisado. Alcatra; Cozido da Lagoa das Furnas (1); Toucinho fumado.

As sobremesas portuguesas são tantas e tão variadas que ficam para outra oportunidade.

(1) Ver neste blogue

Maria do Céu Carvalho Dias é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Feriados

Esta segunda-feira, 1º de novembro, é feriado nacional em Portugal em comemoração do Dia de Todos-os-Santos.

Já no Brasil o feriado é amanhã, terça-feira (2), quando o país celebra o Dia de Finados.

A primeira mulher presidente do Brasil


Ontem (31), Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil com 56,05% dos votos válidos.

Economista, ex-ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Vana Rousseff Linhares, 62 anos, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Vai assumir a Presidência da República Federativa do Brasil no dia 1º de janeiro de 2011.

Daqui, do outro lado do Atlântico, desejo à nova presidente muita saúde e sabedoria para conduzir da melhor forma o nosso querido país. Que seu governo contribua para o Brasil ser o país que todos nós brasileiros desejamos e merecemos.

sábado, 30 de outubro de 2010

Pernambucano vai jogar pelo Benfica

O jovem pernambucano Diego Dias,15 anos, campeão brasileiro de hóquei sobre patins pelo Sport Clube do Recife, agora é atleta do Benfica de Portugal, um dos clubes mais fortes da Europa na modalidade.

Morador da comunidade do Caranguejo, no Recife, Diego vai seguir o caminho do seu conterrâneo, Cacau, que já defende o time português. O atleta embarca para Portugal na próxima semana e o blog deseja muito sucesso para ele.

Leia mais em:

http://www.blogdosport.com.br/index.php/2010/10/29/jogador-de-hoquei-do-sport-vai-jogar-na-europa

Portugal adota hora de inverno

Na madrugada deste domingo (31), os portugueses vão atrasar uma hora no relógio, dando início ao horário de inverno, que fica em vigor até março de 2011.

Com a alteração, a diferença de fuso horário entre Pernambuco e Portugal Continental e Região Autônoma da Madeira cai de quatro para três horas e de três para duas horas, com relação ao Arquipélago dos Açores.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Duas receitas bem portuguesas, com certeza!

Cozido à portuguesa

Para quem não sabe o que preparar para os almoços do feriadão, o blog sugere duas receitas bem portuguesas enviadas pela professora Maria do Céu Carvalho Dias, que encerra assim, e com chave de ouro, a série sobre a alimentação em Portugal.

Agora seguem-se duas receitas: a caldeirada (do litoral) e o cozido de todo o Portugal.

Caldeirada à moda da minha Mãe (ou da Nazaré)

Primeiro veja se tem na despensa sal, alhos, cebolas, azeite, colorau (pimentão doce), piripiri (malaguetas picantes), vinho branco, folhas de louro e batatas.
Em seguida verifique no frigorífico se tem tomates, pimentos e salsa.
Depois saia de casa para ir comprar o peixe: sardinhas, lulas, safio, cação, raia, enguias, se houver, cantaril, ruivo. Há quem compre também amêijoas, para colocar no fundo do tacho, mas a minha Mãe não. A quantidade e a variedade do peixe dependem do número de pessoas e do dinheiro que se tem no bolso.
Entretanto chega a casa, espero que já com o peixe arranjado. Descansa uns minutos. Pega num tacho (o da minha Mãe é de barro) e começa a colocar os ingredientes em camadas: cebolas (às rodelas), alhos, tomates, pimentos, ramo de salsa, o peixe e as batatas (às rodelas) alternadamente. Cuidado com os peixes mais frágeis, como a sardinha que deve ficar em cima. Vai-se temperando, não esquecendo nenhum tempero. Tapa-se o tacho e deixa-se cozer, sem nunca se mexer, só agitando o recipiente de tempos a tempos.
Está pronta? Leve para a mesa no tacho e acompanhe com vinho branco. Bom apetite!

Cozido à portuguesa (ou à minha maneira)

Primeiro as compras: Carne de vaca para cozer; chispe (ou pé), entremeada e orelheira de porco; chouriço de carne; chouriço de sangue (ou morcela de arroz); farinheira. Couve lombarda, couve coração; cenouras; nabos; batatas; arroz. Pão ou massa e hortelã (facultativo) Em certos locais couve portuguesa, galinha, feijão ou grão, mas eu não ponho.
Começo por cozer as carnes com sal e o chouriço e a seguir o resto dos enchidos.
Depois reservo e com a mesma água cozo os legumes e por fim o arroz.
Costumo arranjar duas travessas: uma com as carnes partidas em bocados, tendo no meio o arroz, outra com os legumes. Por vezes faço sopa: com o caldo a ferver, escaldo bocadinhos de pão, ponho raminhos de hortelã por cima, ou cozo massa cotovelo. É então altura de reunir a família, saborear e acompanhar com vinho tinto.
Este assunto deixa as pessoas com água na boca! Mas atenção à saúde! Mesmo os que seguem uma alimentação equilibrada podem usar mais ou menos gordura, mais ou menos legumes, mais ou menos (é o melhor) enchidos, no entanto não deixe de comer.

*Maria do Céu Carvalho Dias é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa

Curiosidades alimentares


Por Maria do Céu Carvalho Dias*

- É impossível falar-se de comida sem lembrar o Vinho, bebida já referida na Bíblia e nos escritos greco-romanos. Em Portugal produzia-se e exportava-se desde cedo, acompanhava refeições misturado com água, até nos conventos de freiras. Dele diz Erico Veríssimo (1905-1975): “Se eu aceito um cocktail? Oh, madame, eu aceito tudo, inclusive a vida. Bebamos um brinde à vida!” Eça de Queirós (1845-1900) escreveu:” Ah, que dia! Jantei num gabinete do Hotel Central, solitário e egoísta, com a mesa alastrada de (vinhos) Bordéus, champanhe, Reno, licores de todas as comunidades religiosas – como para matar uma sede de trinta anos! Mas só me fartei de Colares.”

- Diz-se que foi D. Pedro que, sem saber, ao mandar matar Pêro Coelho, um dos assassinos de D. Inês de Castro (1), deu dicas para a maneira de cozinhar o coelho: “Tragam cebola, vinagre e azeite para o Coelho” e a seguir ordenou a sua morte tirando-lhe o coração pelo peito. É irónico!

- A Açorda (de marisco, de camarão, de bacalhau, de sável e outras) ou as Migas à alentejana podem estar relacionadas com o passado medieval, em que não se usavam pratos e se colocava o peixe ou a carne em cima de grossas fatias de pão e depois se dava o pão empapado aos pobres. Daqui até à açorda (pão demolhado com azeite, alhos e outro qualquer produto, como ervas de cheiro) foi um passinho.

- O Arroz chegou à Península Ibérica pela mão dos Árabes, no século VIII. Pensando nele como doce ou acompanhamento, ou até prato principal, o escritor Eça de Queirós louva a comida portuguesa desta maneira: “Em palácio algum por essa Europa superfina, se come na verdade tão deliciosamente como nestas rústicas quintas de Portugal. Na cozinha enfumarada, com duas panelas de barro e quatro achas a arder no chão, estas caseiras (mulheres) … guisam um banquete que faria exultar o velho Júpiter…o deus que mais comeu e mais nobremente soube comer, desde que há deuses nos céus e na terra…”

- O Queijo é uma entrada, ou uma sobremesa nas refeições portuguesas e mundiais. É extraordinário fresco ou curado, de vaca, de ovelha, de cabra ou até misturado. Há várias lendas no mundo greco-romano sobre como o Homem aprendeu a fazer este alimento que faz a delícia e a desgraça de muita gente. Basta lembrar o queijo de ovelha da Serra da Estrela, cuja produção é antiquíssima e se prende com o movimento de transumância praticado no centro da Península Ibérica: migrações de pastores com o seu gado (ovelhas e algumas cabras) aproveitando a primavera e o verão nos pastos da Serra da Estrela e o inverno na bacia do Douro, nas zonas planas da Idanha, (Beira Baixa) e até mesmo nos campos de Ourique (Alentejo).

- Outro prato típico de Portugal é a Carne de Porco à Alentejana, originário do Algarve e antes denominada carne de porco com amêijoas. Só que os clientes dos restaurantes criticavam o sabor da carne de porco, pois era alimentado com peixe saído do mar que banha aquela província (Oceano Atlântico). Imaginem o sabor ensardinhado daquelas carnes…Assim, os donos dos restaurantes viram-se obrigados a comprar o porco alentejano e a anunciar carne de porco alentejano com amêijoas. Com o tempo o nome deste prato foi-se modificando para carne de porco à alentejana, embora no Alentejo haja bom porco alimentado a bolota, mas não amêijoas.

-Então ia esquecer o Bacalhau e as milhentas maneiras de o cozinhar! O bacalhau conhecido dos Vikings no século IX; o bacalhau, fiel amigo e indispensável com couves e batatas à mesa da Consoada em Portugal; o bacalhau da Terra Nova que os Portugueses começaram a pescar no século XVI, embora com interrupções, e que teve, talvez, o seu ponto alto nos anos sessenta do século XX. Hoje só pescam 3% das necessidades e desejos da população portuguesa, sendo o resto importado da Noruega. Era tudo organizado em Portugal: havia o Grémio dos Armadores, onde se inscreviam os pescadores. Os barcos bacalhoeiros transportavam para a Terra Nova ou Gronelândia pequenas embarcações, os dóris, que eram comandados por um único homem cada barquinho. As condições eram horríveis, porque se levantavam pelas quatro da manhã, iam pescar à linha no seu dóri, regressavam horas depois para o navio, onde tinham de escalar e salgar o peixe pescado naquele dia. Dormiam umas quatro horas por noite, mal se lavavam e mudavam de roupa durante meses e meses. Era uma vida dramática, longe da família. Li algures que durante a 2ª Guerra Mundial dois daqueles navios foram afundados com trinta e seis pescadores.

- O Cozido à Portuguesa faz-se por todo o país e em todas as casas e é certamente o prato mais antigo e tradicional, pois só precisa dos elementos naturais água, fogo e terra (os produtos que ela dá). Pode ser com mais ou menos produtos, consoante o nível social e a região do país. Também é interessante referir que é extraordinariamente alimentício e os restos ainda podem dar uma sopa de pão ou de massa e outros pratos.

- A Caldeirada é feita com produtos que o mar dá acompanhados de batatas e por isso come-se na costa marítima portuguesa, pode ser mais ou menos rica e dela ainda se pode fazer também uma deliciosa sopa. Vejamos este retrato feito por Jorge Reis: “Com efeito, cheirava que rescendia! Na malga de barro vidrado nadavam postinhas de peixe num molho espesso alaranjado, de súcia com rodelas de cebola e niquinhos de tomate refogados. E viam-se os olhinhos do azeite a catrapiscarem de gozo!”

(1) Ver neste blogue: “ Agora é tarde, Inês é morta”

*Maria do Céu Carvalho Dias é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Recife quer conquistar argentinos

Avenida Martins de Barros e rio Capibaribe, no Recife
Fotografia: Carlos Bayma

O Recife marca presença na 15ª FIT – Feira Internacional de Turismo de América Latina, que acontece entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, em Buenos Aires, na Argentina. A Secretaria de Turismo da Prefeitura do Recife enviará a equipe Recife te Quer para cumprir uma programação especial na cidade portenha. Além de divulgar e promover o Recife, serão feitas visitas às agências de viagens que mais vendem pacotes turísticos para o Recife e que fazem parte do programa de fidelização Recife te Quer.


De acordo com dados da Infraero, em 2009, os argentinos estiveram em primeiro lugar no ranking dos turistas que desembarcaram de voos internacionais no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre. Os portenhos representaram 24,80% dos turistas de todos os países emissores que desembarcaram na cidade.


O Recife ficará alocado no Espaço Pernambuco, no Pavilhão Brasil da feira. Serão entregues revistas Recife te Quer em espanhol, catálogo de fotos trilingue, folders e mapa da cidade. A FIT é considerada uma das maiores feiras do continente americano, que teve, em 2009, mais de 82 mil visitantes.


Fonte: Secretaria de Turismo da Prefeitura do Recife


Para ver outras fotografias de Carlos Bayma, acesse a galeria do autor no site Olhares: http://olhares.aeiou.pt/carlosbayma

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O eterno Rei do Baião

Segundo um levantamento realizado pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, foi o autor com o maior rendimento de direitos autorais nas Festas Juninas de 2010.

A pesquisa confirma também que a tradição ainda impera nas festas dos santos Antônio, João e Pedro. As músicas mais tocadas foram os clássicos: “ Festa na roça”, “Pula Fogueira”, “Olha pro Céu”, “O sanfoneiro só tocava isso” e “Quadrilha Brasileira”.

E por falar em Gonzagão, a TV Globo Portugal exibe hoje (27), às 23h, o programa Som Brasil Especial Luiz Gonzaga com a participação das cantoras Marina Elaili e Elba Ramalho e outros artistas.

Com informações do JC Online Núcleo SJCC\Caruaru.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A alimentação e os condicionalismos alimentares em Portugal


Por Maria do Céu Carvalho Dias*

“…Que formosa ciência esta (Gastronomia), que reflecte os dons e belezas dos frutos que a terra, o ar e a água põem nas mãos do homem para que os transforme, com a sua arte, em manjares que hão-de ser alimento e prazer”. José Sarrau

A história da alimentação e da gastronomia, por alguns denominada a nona arte, começa com o Homem, sobre quem o escritor espanhol Camilo José Cela (Prémio Nobel) disse ter unicamente três objectivos: comer, sexo e desejo de poder. Começou por ser caçador e recolector, passando a agricultor, pastor e produtor, progredindo até hoje. Porquê? Porque evolui física e mentalmente e também devido a outros condicionalismos, como diferenças climáticas, situação geográfica, condição social e momento histórico.

Assim, sabemos que o homem primitivo português comia carne que caçava das mais variadas maneiras, e raízes e frutos que recolhia, como podemos observar em pinturas rupestres na Península Ibérica. Também pescava peixe e mariscos, cujos restos se encontram nos Concheiros de Muge, nas margens ribatejanas do rio Tejo. Entretanto o fogo vai permitir cozinhar os alimentos, para além, claro, de servir para fazer queimadas, afugentar os animais, etc.

Quando já havia cereais, o pão começa a ser confeccionado. O pão será o elemento principal da alimentação humana, mesmo quando as dificuldades são muitas, ou quando o nível social é baixo. Por isso o descontentamento sempre existiu, quando a crise chegava, ou chega aos cereais.

A alimentação varia consoante o Homem habita junto do mar, de rios, de montanhas e de planícies. Desta maneira, mesmo Portugal – país pequenino – apresenta diferenças na culinária, como veremos a seguir. É também evidente que a diferenciação social e a vida no campo ou na cidade contribuem para dietas alimentares completamente diferentes.

Mas a História de Portugal também influenciou as comidas e a sua confecção:
Até à Expansão portuguesa a população confeccionava os produtos existentes desde a carne e o peixe até aos ovos, castanhas, cereais e legumes. O tempero podia ser o sal, o alecrim, o manjericão, o azeite e até mel, embora já se importassem as caras especiarias cravo, pimenta, canela que eram só para alguns. Comia frutas variadas, algumas trazidas pelos Árabes no século VIII. Com os Descobrimentos, a partir do século XV, o comércio desenvolveu-se muito, as permutas foram imensas e por isso vamos passar a receber especiarias mais baratas, como a pimenta, a canela, o cravinho, o açafrão, o gengibre e muitos outros produtos como o açúcar, primeiro da Madeira, depois do Brasil, o peru, o milho e a batata que vêm revolucionar a dieta alimentar. Mas atenção, porque o clima vai condicionar estes produtos. Como exemplo direi que o açúcar nunca se desenvolveu em Portugal continental; o milho deu-se melhor no norte, ao contrário do trigo já existente. A batata vai tirar o lugar à castanha que continua a ser muito importante no nordeste português. Um lombinho de porco assado no forno com castanhas é de se comer e chorar por mais! Também há receitas que são mais próprias do litoral, como a caldeirada ou o peixe assado, outras que são mais do interior do país como os pratos de cabrito ou de porco. Não esquecer ainda que só na segunda metade do século XX Portugal teve a expansão da luz eléctrica pelos sítios mais recônditos e por isso há receitas que têm a ver com esse atraso: carapau seco ou enjoado, feijoada, lombo de porco. Enfim, um sem número de pratos. Recordo-me agora do dia da matança do porco praticado em muitas casas portuguesas, por exemplo na dos meus pais, porque era uma boa fonte de alimento, até porque o sal e o unto (gordura do animal) conservavam a carne durante bastante tempo. O animal a morrer era escolhido de véspera e morto pela manhã. Era em seguida desmanchado e as mulheres iam lavar as tripas ao rio, porque segundo a tradição a água devia ser corrente e a lavagem feita sete vezes. Tudo era aproveitado no porco. Até os miolos se comiam de imediato com ovos mexidos. Para festejar o momento, reunia-se a família que almoçava caldo de morcelas (um enchido de sangue e arroz) e carne frita ou lombo de outro porco já morto há mais tempo. Não podia faltar a sobremesa: a da minha Mãe era as deliciosas farófias (claras em castelo com doce de ovos por cima).
O texto já vai longo…e nada se disse de doces! (1)

Seguem-se algumas curiosidades e duas receitas noutro episódio.

(1) Ver neste blogue: Doces Conventuais
Bibliografia – Cozinha Tradicional Portuguesa, Maria de Lourdes Modesto. O Livro de Pantagruel, Bertha Rosa Limpo e outros autores

*Maria do Céu Carvalho Dias é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa

Pernambuco em dose dupla

Fotografia: Arnaud Mattoso

Pelo décimo ano consecutivo, Porto de Galinhas foi eleita a melhor praia do Brasil pelos leitores da revista Viagem e Turismo, da Editora Abril. Pernambuco também ficou com o prêmio de melhor pousada do país, conquistado pela Pousada Zé Maria, de Fernando de Noronha.

A cerimônia que anunciou os vencedores do "Prêmio Viagem e Turismo – A Escolha do Leitor" foi realizada quinta-feira (21) passada, no Museu Histórico Nacional, no centro do Rio de Janeiro.

As cores de Lisboa

Fotografia: Patrícia Brederode

Visão parcial da cidade de Lisboa com o seu casario, monumentos e o Tejo

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Alimentação em Portugal

O blog publica, a partir de amanhã (26), uma série de textos escritos pela professora portuguesa Maria do Céu Carvalho Dias sobre a história da alimentação em Portugal, curiosidades alimentares e, atendendo a pedido, algumas RECEITAS da cozinha portuguesa !!!

Maria do Céu Carvalho Dias é licenciada em História pela Universidade Clássica de Lisboa.

Baile do Menino Deus


O Balé Brasil de Portugal vai apresentar "O Baile de Menino Deus" de 10 a 13 de novembro, no Ponto de Encontro de Cacilhas, às 20h30. Com entrada gratuita, o espetáculo é inspirado em manifestações da cultura popular do nordeste brasileiro. Baseado no musical de Ronaldo Correia de Brito, Assis Lima e Antônio Madureira, a peça é um dos mais populares Autos de Natal do Brasil.

Com sede em Cacilhas, O Balé Brasil de Portugal tem como mentores os pernambucanos Carmen Queiroz e Pedro Pernambuco que são pesquisadores, bailarinos, animadores socioculturais, coreógrafos e professores de Dança Brasílica. O grupo representa, em Portugal, o Balé Popular do Recife, com o método brasílica baseado nos autos e folguedos dos Nordeste do Brasil.

Baile do Menino Deus
De 10 a 13 de novembro
Ponto de Encontro de Cacilhas
Hora: 20h30
Entrada gratuita

http://balebrasildeportugal.blogspot.com

Pedro Pernambuco foi um dos meus professores de dança popular no Centro Cultural Brasílica, no Recife. Por obra do destino, nosso encontro em Portugal aconteceu, em 2007, no Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), onde ele trabalha. É casado com Carmen com quem tem duas lindas filhas.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um outubro diferente

Acabei de ler na internet e achei legal dividir com vocês, meus queridos leitores:
"Um fato curioso neste mês de outubro é que ele tem cinco sextas-feiras, cinco sábados e cinco domingos. Isso só acontece a cada 823 anos em um mês qualquer do calendário".

Interessante, não é? Será um sinal de sorte?