A editora

Minha foto
Nasci no Recife, capital de Pernambuco, um dos 26 Estados do Brasil. Sou jornalista diplomada, amante da vida e de tudo que é positivo, verdadeiro e autêntico. Deixei as águas do Capibaribe, o mais famoso rio que banha o Recife. Atravessei o Oceano Atlântico e desaguei no rio Tejo, que acalenta Lisboa. E para aproximar esses dois lugares tão distantes mas com fortes ligações históricas e culturais, dei início a construção desta "ponte" Pernambuco-Portugal.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Viagens

Da coluna João Alberto/Diario de Pernambuco

Os destinos preferidos dos brasileiros que já foram ao exterior este ano são, pela ordem, Estados Unidos, Argentina, Portugal,França e Chile.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Recife é destaque em jornal lusitano


A publicação portuguesa Jornal Economico (OJE) destacou o Recife no suplemento Luxury Travel & Safaris, publicado na última sexta-feira (14). O material é fruto de fampress realizado em dezembro pela Secretaria de Turismo do Recife com jornalistas que desembarcaram no Porto do Recife no navio Vision of the Seas.

Entre os pontos turísticos apresentados na matéria “Recife. Uma cidade imperdível feita de rios, pontes e cultura” estão o Pátio de São Pedro, a Oficina Brennand e o Bairro do Recife, além da praia de Boa Viagem, praças, mercados públicos e museus.

Leia a matéria aqui:
http://www.oje.pt/lifestyle/travel-safaris/recife-uma-cidade-imperdivel-feita-de-rios-pontes-e-cultura

Fonte: Secretaria de Turismo do Recife

Aeroporto do Recife comemora aniversário com frevo

O Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre comemora aniversário de 53 anos nesta terça-feira (18) com uma parceria entre a Superintendência do aeroporto e Secretaria de Turismo do Recife. Às 8h30, haverá uma Missa de Ação de Graças, na Sala de Imprensa do terminal, e das 10h às 14h os passageiros que desembarcarem na cidade serão recebidos no ritmo de frevo e receberão folheteria alusiva à data.

Situado ao sul do Recife, o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre atende a movimentação de passageiros domésticos e internacionais. Sua construção antecede a II Guerra Mundial, quando foi melhorada a estrutura da Base Aérea do Recife e do próprio aeroporto. A data de 18 de janeiro de 1958 marca a transferência do terminal de passageiros do Campo do Ibura para o bairro da Imbiribeira, mais próximo da faixa litorânea, onde as instalações foram inauguradas pelo então presidente Juscelino Kubitschek.

Fonte: Secretaria de Turismo do Recife

domingo, 16 de janeiro de 2011

TAP inaugura voo direto Lisboa-Porto Alegre dia 12 de junho


O voo inaugural da ligação aérea direta entre Porto Alegre e Lisboa, a operar pela transportadora aérea portuguesa TAP, será efetuado dia 12 de junho.

A transportadora irá realizar quatro frequências semanais entre o aeroporto Salgado Filho, na capital do Rio Grande do Sul, e o aeroporto internacional de Lisboa, com conexões a outros destinos europeus. No total, a TAP disponibilizará semanalmente cerca de 2.300 assentos, além de transporte de cargas. A nova rota será feita por uma aeronave Airbus A330 e a viagem terá a duração de aproximadamente 10h30.

A companhia considera que o novo destino - o décimo da empresa no Brasil -, além de beneficiar os Estados do Sul do país, também contribuirá "para a expansão do Rio Grande do Sul como destino turístico, abrindo possibilidades de atrair o público do Uruguai e Argentina para embarque direto rumo à Europa".

Com os novos voos, a TAP vai operar mais de 70 frequências semanais entre Brasil e Portugal, reforçando a liderança no transporte de passageiros e carga entre a Europa e o Brasil.

A TAP serve atualmente nove cidades brasileiras, nomeadamente Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Fortaleza, Natal, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, com ligações diretas à capital portuguesa e conexões para toda a Europa.

Fonte: Embaixada de Portugal no Brasil

Cantar as Janeiras ou Cantar os Reis

Por Maria do Céu Carvalho Dias*

É uma tradição que existe em todo o Portugal, do Norte a Sul e também nas Ilhas. Já os Romanos evocavam nesta altura do ano o deus Jano, porteiro celestial, para afastar os maus espíritos. O cristianismo manteve a tradição e acrescentou-lhe autos pastoris em honra do Menino Jesus. É assim que todos os anos entre 1 e 6 de Janeiro (Dia de Reis), às vezes durante todo o mês, grupos se organizam, tocando e cantando músicas populares em louvor do Menino Jesus, Nossa Senhora e S. José. Vão de porta em porta, cantam e aguardam a recompensa, que antes era de comida, castanhas, nozes, chouriço, etc. Com o passar dos tempos começam a receber dinheiro e chocolates. No fim da caminhada, o grupo divide as dádivas ou come-as em conjunto. Hoje, nos cantares também foi introduzida uma música de Zeca Afonso que se chama “Natal dos Simples” e começa com a frase: “Vamos cantar as Janeiras” Por vezes as músicas também têm letras de insulto e crítica, por exemplo aos moradores que não contribuíram. Outra inovação é haver grupos que cantam as Janeiras ao Presidente da República e ao Primeiro-Ministro nas suas respectivas residências. Ainda mais curioso e interessante é as Câmaras Municipais organizarem espectáculos em que grupos musicais e Infantários cantam as Janeiras no sentido de recuperarem a tradição.
Aqui vai o mote:
"O novo ano está a chegar e as Janeiras eu vou cantar;
Seja para Jano ou outro Deus similar, a minha voz eu vou levar;
Por esse país fora há que comemorar, o novo ano que está a começar;
De porta em porta vamos entrar e numa só voz vamos cantar!”

Em Portugal existem muitas tradições natalícias para além das Janeiras, como o manter a arder, durante a Noite de Natal, um grande tronco de árvore (o madeiro de Natal) para aquecer os mais necessitados e estabelecer o convívio; a Missa do Galo na noite de Natal; os sapatinhos serem colocados na chaminé para que o Menino Jesus ou o Pai Natal durante a noite traga os presentes. Pelo Carnaval também há regiões que cumprem a tradição das cegadas, teatro popular de crítica social e política, e também a da Morte do Carnaval ou o Enterro do Entrudo. Na Páscoa é o Pároco da terra que em procissão, denominada “ O Compasso”, e cantando Aleluia, vai de casa em casa desejar Boa Páscoa e receber as amêndoas, muitas vezes dinheiro. Em Novembro, pelo dia de Todos os Santos e Finados, grupos de crianças organizam-se para receberem o Pão por Deus, normalmente guloseimas; mas antigamente eram os pobres que pediam o Pão por Deus aos ricos que abriam as suas portas para oferecerem comida.
São muitas as tradições, embora algumas estejam a cair no esquecimento, porque são a memória de tempos antigos, muito diferentes da actualidade.

Introduzi hoje este assunto a pedido dum comentador, mas retomarei em breve a série das Praças e Ruas lisboetas que de alguma maneira estão relacionadas com o Brasil.
Fonte: http://www.descubraportugal.com.pt

* Maria do Céu Carvalho Dias é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa


Veja o Rancho Folclórico de Pesos de Sul Cantar as Janeiras:
http://www.youtube.com/watch?v=oSfRTHKl83A

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea

A Embaixada do Brasil em Lisboa informa que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) lançou o edital do I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea. O concurso visa incentivar a produção brasileira de arte contemporânea e ampliar sua divulgação no exterior, concedendo prêmios entre R$ 2.500 e R$ 20.000 nas áreas de pintura, escultura, fotografia e obras em papel.

O evento ocorrerá a cada dois anos e as obras premiadas serão incorporadas ao acervo do MRE e poderão ser expostas na sede do Ministério, em Brasília, e nas missões diplomáticas e repartições consulares brasileiras no exterior.

As inscrições estão abertas até o dia 24 de março de 2011. Para mais informações, acesse o edital do concurso no link:

http://www.dc.mre.gov.br/festivais-e-concursos/Edital%20Concurso%20Arte%20Contemporanea%202010.doc/view

Chorinho brasileiro em Vila do Conde



Já com um CD editado (Choro Malandrinho), o Raspa de Tacho dedica-se à divulgação do primeiro gênero musical genuinamente brasileiro, o choro ou chorinho. O grupo é formado pelos músicos brasileiros Gabriel Godoi e Tércio Borges, que vivem e tocam em Lisboa há vários anos, e pelos portugueses João Vaz e João Fião, apaixonados pelos sons do Brasil. No repertório do quarteto estão clássicos do chorinho e temas originais.

Grupo de Choro Raspa de Tacho
Tércio Borges – cavaquinho
João Vaz – sax soprano
Gabriel Godoi – violão de 7 cordas
João Fião – pandeiro
Data: 14 de Janeiro
Horário: 21h45
Local: Auditório Municipal de Vila do Conde

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Trompetista português e violinista brasileiro entre os vencedores do YouTube

O trompetista português Pedro Silva e o violinista brasileiro Vasken Fermanian, que estuda em Portugal, estão entre os vencedores da Orquestra Sinfônica do YouTube, cujos elementos foram escolhidos através de audições na internet e se estreiam na Ópera de Sydney em março.

Pedro Silva tem 20 anos, reside em Santa Maria da Feira, frequenta a Licenciatura em Música da Universidade do Minho e, depois de em 2009 ter sido selecionado para a Jeunesses Musicales World Orchestra, foi agora escolhido entre 12 finalistas para integrar o coletivo do YouTube juntamente com outros três trompetistas.

Integrando o naipe dos 31 violinistas mais votados entre 79 finalistas desse instrumento, Vasken Fermanian também tem 20 anos, mas é natural de Fortaleza, no Brasil, embora se encontre a frequentar o 2.º ano da Licenciatura em Violino na Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, Portugal.

Fonte: Diário Digital / Lusa

Recife prepara ação de verão no Aeroporto

Praia de Boa Viagem/Fotografia: Carlos Bayma*


O Recife vai receber os turistas do verão de um jeito diferente entre os meses de janeiro e abril. Ao desembarcar no aeroporto, ainda no saguão ao lado das esteiras de bagagem do Desembarque Sul, os visitantes receberão dicas no celular a partir de dispositivo de disparador de Bluetooth.

Entre as informações, toques para celular com ritmos pernambucanos, papéis de parede com fotos da cidade, dicas diárias sobre o que fazer na capital pernambucana, além de informações sobre os sites de turismo (www.acontecenorecife.com.br e www.mapavirtualdorecife.com.br) e estímulo à visitação do posto de informações do aeroporto.

Durante os horários de pico de movimentação, a equipe Recife te Quer estará de plantão na Bluetooth Zone, estimulando os turistas a conhecerem o Recife com a ajuda da tecnologia. A ação é realizada pela Secretaria de Turismo do Recife com apoio da Infraero e tem início a partir de 14 de janeiro.

Fonte: Secretaria de Turismo do Recife


* Para ver outras fotografias de Carlos Bayma, acesse a galeria do autor no site Olhares: http://olhares.aeiou.pt/carlosbayma
Visite também o interessante blog de Carlos Bayma (Projeto CPM 40+ Conhecer para Mudar) http://projetocpm40.blogspot.com

José Mourinho é o melhor técnico de 2010

O português José Mourinho foi eleito o melhor técnico do mundo em 2010 em cerimônia realizada segunda-feira (11), em Zurique, Suíça. O atual treinador do Real Madrid superou os espanhóis Vicente del Bosque, campeão da Copa do Mundo com a Fúria, e Josep Guardiola, do Barcelona.

Fonte: Globo Esporte

Globo terá Oficina de Atores em Portugal

A Rede Globo vai lançar este ano a sua primeira Oficina de Atores fora do Brasil. A emissora vai formar novos talentos em Portugal especialmente destinados às coproduções de dramaturgia.

A ausência de elenco é um dos problemas da Globo nas suas parcerias com a estação televisiva portuguesa SIC, já que boa parte dos atores portugueses mais famosos pertencem ao "cast" da concorrente TVI.

Fonte: Notícias da TV Brasileira

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dalva e Herivelto

A microssérie brasileira Dalva e Herivelto –uma canção de amor será exibida pela TV Globo Internacional a partir desta terça-feira (11). A trama foi baseada na polêmica relação pessoal e profissional de dois dos maiores nomes do samba-canção no Brasil, ícones da época de ouro do rádio no país, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.

Considerada a Rainha da Voz ou o rouxinol brasileiro, Dalva de Oliveira era filha de uma portuguesa (Alice do Espírito Santo Oliveira).

Dalva e Herivelto foi escrita por Maria Adelaide Amaral, com direção de núcleo de Dennis Carvalho e vai ao ar entre 11 e 15 de janeiro para os assinantes da Europa, Oriente Médio, África e Japão.

Site oficial da minissérie Dalva e Herivelto:
http://dalvaeherivelto.globo.com/

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal



Em minha busca diária de boas notícias sobre Pernambuco e Portugal, encontrei uma interessante crônica escrita, em dezembro, por Alexander Ellis, embaixador britânico em Portugal. O texto, publicado na coluna Um bife Mal Passado (jornal Expresso), assinada pelo diplomata, a seguir se transcreve:

"Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento é de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.
2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
3. A variedade da paisagem. Não conheço outro país onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.
10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal".

Coluna Um Bife Mal Passado (jornal Expresso):

http://aeiou.expresso.pt/um-bife-mal-passado=s24971

Praça D. Pedro IV, mais conhecida por Rossio – Lisboa



Por Maria do Céu Carvalho Dias*

Rossio é o antigo nome desta Praça, reconstruída após o Terramoto de 1755. Delimita a norte a Baixa Pombalina (zona mandada reconstruir pelo Marquês de Pombal depois de 1755). Apresenta prédios pombalinos dos lados Oeste e Leste; do lado Norte fica o Teatro Nacional D. Maria II, construído na 1ª metade do século XIX e do lado sul abrem-se ruas que levam ao Terreiro do Paço (Praça do Comércio) e ao Rio Tejo. Ainda do lado norte vislumbra-se a Estação Ferroviária do Rossio em estilo neo-manuelino que faz a ligação à Praça dos Restauradores (1). O pavimento da Praça foi uma das primeiras experiências em calçada portuguesa, com motivos ondulantes pretos e brancos. Era o coração de Lisboa desde há séculos e aqui se realizaram touradas, festivais, paradas militares e até autos-de-fé durante a vigência da Inquisição. Hoje é uma zona de lojas, cafés e restaurantes, vendedores de castanhas e de flores, para além de local de comícios de partidos políticos. Que agradável é estar no Inverno no café Nicola, por onde passou no século XVIII o poeta Bocage, ou no Verão na esplanada da pastelaria Suíça a lanchar e a saborear uma duchesse, bolo imperdível. É também neste espaço que foram colocadas duas fontes monumentais que em dias de calor refrescam o ambiente.

Ora é no meio desta Praça que desde 1870 se ergue numa coluna de vinte e oito metros de altura, a estátua do Rei D. Pedro IV (o 1º Imperador do Brasil). Na base desta coluna existem esculturas femininas - alegorias à Justiça, Sabedoria, Força e Moderação - qualidades que a História atribui a D. Pedro. Vale a pena transmitir-vos uma lenda criada à volta desta estátua, segundo a qual a figura representada seria o imperador Maximiliano do México fuzilado em 1867 e depois reaproveitada para o Rossio. Todavia os especialistas, como José Augusto França, negam tais ideias, porque a peça apresenta características de uma figura nacional: os escudos nos botões, o colar da Torre e Espada e a Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro IV a Portugal em 1826, quando abdica em sua filha D. Maria da Glória, futura D. Maria II.

Mas quem é mesmo este D. Pedro IV, Rei português por meia dúzia de dias e Imperador do Brasil por meia dúzia de anos?
Nasceu no Palácio de Queluz (Lisboa) em 1798 e apenas com 9 anos foi com o pai D. João (Regente do Reino e futuro D. João VI), a Mãe D. Carlota Joaquina, a Avó D. Maria I (Rainha demente), o irmão D. Miguel e grande parte da corte portuguesa para o Brasil, aquando da 1ª invasão francesa. Se a infância em Portugal foi difícil e instável devido aos problemas político-económicos, no Brasil teve uma adolescência muito livre e cheia de compromissos para os quais talvez não estivesse preparado. Morreu tuberculoso aos 36 anos, também no Palácio de Queluz, depois de uma vida cheia, com dois tronos, dois casamentos e vários filhos legítimos e ilegítimos.



É o papel político desta personalidade que, ou empurrado ou motor dos acontecimentos, nos interessa. Em 1820 o cenário era complexo, pois rebenta a Revolução Liberal Portuguesa e a Corte é obrigada a abandonar a colónia brasileira que durante anos funcionou realmente como Reino. Em Portugal as Cortes Constituintes vão ser muito rígidas e pouco “liberais” para com o Brasil que de novo passa a colónia. D. João VI antes de regressar a Portugal nomeara D. Pedro regente do Brasil e este vai desobedecer à ordem de regresso a Portugal imposta pelas Constituintes, manifestando em 26 de Julho de 1822, numa carta a seu pai D. João VI que “ É um impossível físico e moral Portugal governar o Brasil, ou o Brasil ser governado de Portugal. Não sou rebelde… são as circunstâncias”. De facto do Rio a Lisboa eram 70 dias e o Brasil tinha-se desenvolvido tanto com a presença da Corte que em 7 de Setembro de 1822, D. Pedro declara o chamado grito do Ipiranga: “ É tempo! Independência ou morte! Estamos separados de Portugal”. É nesse ano proclamado, sagrado e coroado Imperador. É um período difícil, com muita oposição do lado português que só em 1825 aceita a independência da colónia, mas também do lado brasileiro que nem sempre acredita na sua preparação para governar e fazer da grande ex-colónia portuguesa um país.

A situação complica-se, quando em 1826 morre em Portugal o Rei D. João VI sem herdeiros declarados e presentes, pois se D. Pedro estava no Brasil, D. Miguel encontrava-se exilado na Áustria devido às suas manifestações absolutistas e antiliberais. Em Portugal D. Pedro não era bem aceite, porque tinha renegado Portugal ao tornar-se Imperador e no Brasil a oposição era forte por várias razões: a vida privada; o comportamento político que balançava entre os interesses portugueses e os brasileiros; a guerra demorada com a Argentina; a instabilidade política e o autoritarismo de D. Pedro I. Quando a Regência portuguesa lhe comunica a morte do Pai, ele considera-se Rei, outorga (dá) uma Carta Constitucional aos Portugueses, mas rapidamente abdica em sua filha D. Maria da Glória, de 7 anos, com a condição dela casar com o tio D. Miguel que será regente do reino até à sua maioridade. Logo que este regressa do exílio as peripécias são tantas que originam uma Guerra Civil, entre absolutistas e liberais e depois entre facções liberais, que só termina em meados do século XIX. É em 1831 que D. Pedro resolve vir para Portugal, abdicando, agora, de Imperador do Brasil no seu filho Pedro de 6 anos, Pedro II, para defender o trono português de sua filha. Do Brasil viajam até aos Açores e depois ao Porto e é a partir daqui que, durante três anos, se desenrolam momentos terríveis desta guerra entre dois irmãos que defendem ideologias diferentes. A vitória estará do lado de D. Pedro que, como já disse, não vai ter tempo de a saborear, pois morre pouco tempo depois. Nesta época o Porto vai receber o título de “cidade invicta” e D. Pedro decide legar o seu coração a esta cidade. (2)
Quando estiver em Portugal não deixe de observar e “viver” o Rossio, também denominado Praça D. Pedro IV.

Fontes – (1) Ver neste blogue “Praça dos Restauradores”. (2) Ver neste blogue “ Uma lição de portuguesismo”
Dicionário Ilustrado da História de Portugal. Gomes, Laurentino, 1822. História da Arte em Portugal, volume X. Boletim Lisboa e urbanismo. http://www.guiadacidade.pt/portugal. revelarlx.cm-lisboa.pt

* Maria do Céu Carvalho Dias é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa

Série sobre praças e ruas de Lisboa

A partir desta terça-feira (11), o blog publica uma série sobre praças e ruas de Lisboa com nomes relacionados com o Brasil. Os textos são assinados pela professora portuguesa Maria do Céu Carvalho Dias, licenciada em História pela Universidade Clássica de Lisboa.