A editora

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Nasci no Recife, capital de Pernambuco, um dos 26 Estados do Brasil. Sou jornalista diplomada, amante da vida e de tudo que é positivo, verdadeiro e autêntico. Deixei as águas do Capibaribe, o mais famoso rio que banha o Recife. Atravessei o Oceano Atlântico e desaguei no rio Tejo, que acalenta Lisboa. E para aproximar esses dois lugares tão distantes mas com fortes ligações históricas e culturais, dei início a construção desta "ponte" Pernambuco-Portugal.

domingo, 8 de agosto de 2010

Recife Dá Gosto

O Recife recebe durante todo o mês de agosto chefs de cozinha de Minas Gerais, Santa Catarina, Brasília e Pará para o Recife Dá Gosto, que integra o Ano da Gastronomia no Recife, iniciativa da Prefeitura do Recife com o apoio do Governo do Estado e realização da Abrasel-PE e Fundação Gilberto Freyre. A ideia é proporcionar o intercâmbio cultural e o conhecimento dos temperos e ingredientes locais.

Os chefs convidados são Zoroastro Passos, do Restaurante Feliz (MG), Jaime Barcelos, do Restaurante Ostradamus (SC), William Chen Yen, do Restaurante Babel (DF) e Fábio Sicília, do Restaurante Dom Giuseppe (PA). Entre as especialidades, cozinha italiana, contemporânea com toques orientais e frutos do mar. O Ostradamus foi eleito pela Veja Santa Catarina 2010 o melhor restaurante e a melhor casa para degustar ostra pela terceira vez.

Durante o Recife Dá Gosto serão oferecidos quatro jantares, sempre às terças, no Restaurante Leite. Entre os convidados, profissionais da gastronomia, turismo e imprensa. Os jantares, nos dias 10, 17, 24 e 31 de agosto, serão preparados com a ajuda de estudantes de Gastronomia das instituições de ensino superior recifenses. Depois, cada chef terá o compromisso de deixar, por pelo menos 15 dias, o prato no menu de seu restaurante em cada região do Brasil.

Os chefs participarão de city tour especial pelos principais roteiros da cidade para conhecer a rica diversidade cultural e a história do Recife. Entre os pontos visitados, a Oficina Francisco Brennand, o Instituto Ricardo Brennand, a Casa da Cultura e os mercados públicos, onde comprarão temperos.

Fonte: Secretaria de Turismo do Recife

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Portugal em dose dupla

Neste fim de semana Portugal aparece em dose dupla na tela da Globo. O cantor português Roberto Leal é um dos convidados do programa brasileiro Estrelas apresentado por Angélica Ksyvickis. O artista revela seus dotes culinários ao preparar um Bacalhau à Lagareiro, acompanhado de brócolis temperado com alho marinado no azeite.
Já o programa Caldeirão do Huck desembarca em Lisboa. No quadro Vou de Táxi o apresentador Luciano Huck passeia por diferentes pontos da cidade a fim de escutar histórias curiosas. Entre os passageiros, o jornalista da TV Globo na Europa, Pedro Bassan.
Os programas Estrelas e Caldeirão do Huck são exibidos pela Rede Globo/TV Globo Internacional.

Cozido das Furnas

Fotografia: Miguel Nuno de Carvalho Dias

O que você vê na fotografia acima:
A- um homem retirando um saco plástico da terra
B- um homem retirando uma botija cheia de moeda de ouro
C- um homem retirando um achado arqueológico
D- nenhuma das respostas anteriores

A resposta certa é a letra D. A imagem mostra o que poderá ser, um dia, o seu almoço. Trata-se do tão famoso Cozido das Furnas, iguaria preparada nas caldeiras naturais da Lagoa das Furnas, Ilha de São Miguel, no arquipélago português dos Açores. Os vários ingredientes do cozido são colocados numa panela que é enterrada no solo junto às caldeiras, levando cerca de cinco horas para serem cozinhados pelo calor natural emanado da atividade vulcânica.
A fotografia foi tirada há alguns anos pelo meu sogro mas o modo de preparação do cozido continua o mesmo. Em tempo de “visão verde”, eis uma forma ecologicamente correta de cozinhar alimentos.

Relíquias da época da colonização

Um cofre do departamento de história da Universidade Federal de Pernambuco guarda em condições ideais de temperatura e umidade uma relíquia do tempo das capitanias. São mais de 33 mil documentos de 1590 a 1825 - todos microfilmados e gravados em CD. Os originais estão no arquivo ultramarino, em Lisboa, Portugal.

A documentação é resultado de dez anos de pesquisas feitas para resgatar em Portugal os documentos relativos às 14 capitanias do Brasil. Mais de 400 mil cópias já estão no país e foram distribuídos aos estados de origem.

O único documento original da época das capitanias é uma carta de 30 de janeiro de 1654 - quatro dias depois da rendição dos holandeses. Foi enviada ao rei de Portugal por João Fernandes Vieira - um mestre de campo - uma espécie de comandante-geral das tropas brasileiras e portuguesas que pedia recompensa pelo feito.

O acervo conta ainda com dezenas de cópias de mapas, desenhos dos figurinos militares - que eram diferentes para brancos e negros. Toda a documentação que revela parte do passado de Pernambuco e do Brasil já está à disposição dos pesquisadores. Um tesouro que ficará para o futuro.

Fonte: Programa Bom Dia, Brasil - Rede Globo

Assista o vídeo da matéria em:
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/08/cofre-de-universidade-em-pernambuco-guarda-reliquias-da-epoca-da-colonizacao.html

Canal de Santa Cruz - Pernambuco

Fotografia: Eudes Pereira

O Canal de Santa Cruz está localizado entre a Ilha de Itamaracá e o continente (litoral norte de Pernambuco).
Eudes Pereira é diretor de Redação do Jornal do Grande Recife. Natural do município de Abreu e Lima (20Km do Recife) é fã de Lisboa, onde já esteve em cinco oportunidades.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Macaxeira Gourmet

Por Arnaud Mattoso

Ingredientes (1 pessoa) :
1 macaxeira (aipim, mandioca)
2 tomates maduros
100g de queijo do tipo coalho ou branco para grelhar
1 colher de manteiga
1 cálice de azeite extravirgem
1 porção de salsa desidratada ou de óregano
5 folhas de manjericão
Execução:
Cozinhar a macaxeira até ficar bem mole (prefira panela de pressão). Enquanto cozinha, prepare a cobertura: corte os tomates em pequenos cubos e deixe dourar na manteiga numa frigideira até os pedaços ficarem amolecidos. Regue com o azeite e acrescente os queijos também em cubos, virando-os para dourar em todos os lados. Povilhe a salsa hidratada ou o óregano. Desligue o fogo e deixe descansar enquanto prepara o prato.
Arrumando o Prato
Machucar a macaxeira com um garfo num prato fundo, espalhar um pouco de manteiga por cima, cobrir com o molho de tomate e queijo e finalizar com as folhas de manjericão
Sugestão de bebida:
Cerveja clara
Vinho branco
Suco de maracujá

Em Portugal a macaxeira é comercializada com o nome de mandioca e pode ser encontrada nos grandes supermercados.

Conexão Portugal-Exu

Pesquisando na Internet sobre Luiz Gonzaga, encontrei o site www.luizluagonzaga.mus.br e, para minha surpresa, descobri que o Rei do Baião nasceu numa fazenda fundada por portugueses, nas terras do Barão de Exu. Acompanhe a cronologia do artista, publicada pelo site, e entenda a conexão Portugal – Exu:
1709:
Vindo de Portugal, Leonel Alencar chega na região do Exu. Confraternizando com a tribo de índios que vivia ali, os Açus, cuja corruptela do nome daria Axu e logo depois Exu, Leonel Alencar, acompanhado de três irmãos, fundou a fazenda Várzea Grande. Depois nasceram as fazendas, Caiçara, de Bodocó, de Salgueiro e da Gameleira. Nesta última, situada no pé da serra do Araripe foi fundado posteriormente o povoado de Exu. Hoje chamado de Exu Velho.
1779:
O termo de Exu, situado junto a Serra do Araripe, foi confirmado como Freguesia em 14 de outubro deste ano.
1846:
A Freguesia do Exu foi elevada à Povoação em 30 de maio deste ano pela Lei 150.
1858:
A Povoação do Exu foi confirmada como Vila em 2 de junho deste ano pela Lei 442.
1860:
Chega na serra do Araripe D. Januária, vinda de Missão Velha no Ceará. Acompanhada de sua filha Efigênia, empregou-se na fazenda Caiçara. José Moreira Franco de Alencar casou com Efigênia. Da união nasceram quatro filhas, uma delas Ana Batista, conhecida por Santana. Quando completou 15 anos, Santana viu chegar na Fazenda Caiçara Januário e seu irmão mais velho, Pedro Anselmo, oriundos não se sabe se de Flores ou de Pajeú das Flores, em Pernambuco. Januário foi logo deitando os olhos em Santana.
1863:
A sede da então Vila do Exu foi transferida para Granito por força da Lei 548 de 09 de abril deste ano. Exu possuía neste último ano um Juiz Municipal, um Tabelionato, três Distritos de Paz, um Subdelegado de Polícia, uma agência de Correios, 27 eleitores estando subordinada a Comarca de Cabrobó.
1888:
Bem no estilo feudal, era senhor de braço e cutelo de Exu, Gualter Martiniano de Alencar Araripe, que em 15 de novembro deste ano foi agraciado pelo Imperador D. Pedro II com o título de Barão de Exu.
1909:
Januário José dos Santos, vindo dos Quidutes e dos Anselmos. Conhecido tocador de fole de 8 baixos, subiu a encosta da Serra do Araripe com destino à chapada. Mas ficou na Fazenda Caiçara, quase no sopé da Serra, na fazenda do Barão do Exú, bem onde começava o Rio Brígida que ia desembocar no São Francisco.
Ana Batista de Jesus, ou simplesmente Santana. Era uma cabocla bonita e deixava muito olhar na esteira do seu caminho, sedentos daqueles olhos bonitos, daquele gingado de marrã bravia. Daí o cuidado de Efigênia, sua mãe, conhecida por Figênia.
Espantava os mais afoitos, animava os de melhor qualidade. E Januário caíra nas suas graças. E na Igreja de Exú, em setembro de 1909, o casamento foi feito, sem arranjo, sem arrumação e principalmente sem samba.Claro: o único tocador de forró da região era o noivo...E numa casucha construída com os amigos, Januário lá se foi morar com Santana, morena formosa e de olhos estranhamente verdes, que endoidavam os cabras. E Januário tinha pressa, não ia perder tempo depois dos sacramentos..." Fez cum ela o sanfoneiro/ Um casamento feliz/ E dos nove qui nascêro/ Um desses nove é Luiz..."
1912:
No dia 13 de dezembro, uma sexta-feira, nasce, na fazenda Caiçara, terras do barão de Exu, o segundo de nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que na pia batismal da matriz de Exu recebe o nome de Luiz (por ser o dia de Santa Luzia) Gonzaga (por sugestão do vigário) Nascimento (por ter nascido em dezembro, também mês de nascimento de Jesus Cristo.

Retirado do Site Luiz Lua Gonzaga:
www.luizluagonzaga.mus.br

A cronologia segue até 1989, ano do falecimento de Luiz Gonzaga.

Barco Rabelo

Fotografia: Patrícia Brederode

O barco rabelo é uma embarcação portuguesa, típica do Rio Douro, que transportava as pipas de Vinho do Porto do Alto Douro até Vila Nova de Gaia

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

QUI NEM JILÓ
Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga

Se a gente lembra só por lembrá
Do amô qui a gente um dia perdeu
Saudade inté qui assim é bom
Pro cabra se convencer
Qui é feliz se saber pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém qui se deseja rever
Saudade entonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Eu vivo doido a sofrer
Ai quem me dera voltá
pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
e amarga qui nem jiló
Mas ninguém pode dizer
qui me viu triste a chorá
Saudade o meu remédio é cantá.

FONTE: LIMA, José Mário Austragésilo da Silva. A Oralidade e a Imagética em Luiz Gonzaga: Uma análise do conteúdo da obra musical do rei do baião / Ensino Superior Bureau Jurídico - Recife, 2006.

Foi difícil escolher uma música de Luiz Gonzaga para postar aqui. Cresci ouvindo minha mãe cantar e escutar os sucessos do Rei do Baião. Lembro-me de um programa radiofônico que todos os dias, na Hora do Angelus, colocava no ar "Ave Maria Sertaneja" na voz de Gonzagão. Eu ficava tão impressionada quando ele começar a cantar: Quando batem as seis horas/ De joelhos sobre o chão/ O sertanejo reza a sua oração/ Ave Maria Mãe de Deus Jesus /Nos dê força e coragem /Pra carregar a nossa cruz. Parecia que eu via na minha frente um homem magro, o rosto queimado pelo sol e com um olhar triste por causa da seca. A música falava de uma realidade que me comovia.
Finalmente, escolhi para publicar "Qui Nem Jiló" porque fala de saudade, sentimento inseparável de todo imigrante (como eu) e porque José Mário Austragésilo, a fonte citada, era o diretor da TV Jornal do Commercio quando eu trabalhava lá. Um grande mestre, um defensor fervoroso da cultura nordestina.

O Rei do Baião

Hoje faz 21 anos da morte do cantor e compositor Luiz Gonzaga, representante maior da música popular nordestina. Natural de Exu, sertão de Pernambuco,“Seu Lua” cantou seu povo (tão forte), sua gente (tão sofrida) e seu sertão (tão castigado pela seca). O vídeo é um programa da série Nomes do Brasil do Canal Futura e faz uma homenagem ao Rei do Baião.
Quem estiver no Recife e quiser conhecer a vida e a obra do artista, a dica é visitar o Memorial Luiz Gonzaga, no Pátio de São Pedro.

Memorial Luiz Gonzaga:

http://www.recife.pe.gov.br/mlg/gui/Index.php

domingo, 1 de agosto de 2010

Asa Branca

Composição: Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo o asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe muitas léguas,
Nessa triste solidão,
Espero a chuva cair de novo,
Pra eu voltar pro meu sertão.

Quando o verde dos teus olhos,
se espalhar na plantação,
Eu te asseguro não chores não, viu
Que eu voltarei, meu coração.

Ponte Dom Luís I

Fotografia: Patrícia Brederode

A Ponte Dom Luís I liga as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia (margem norte e sul respectivamente) que estão separadas pelo rio Douro, em Portugal.

Festival dos Oceanos

O Festival dos Oceanos já chegou para animar o eixo Ribeirinho de Lisboa com sua 7ª edição dedicada à comemoração do Centenário da República Portuguesa, que inclui diversos eventos entre 31 de julho e 14 de Agosto.
Nas próximas duas semanas serão realizados espetáculos interativos e de multimédia, concertos, teatro, atividades de rua, noites de fado, museus abertos à noite, bem como outras iniciativas inéditas e surpreendentes, destinadas a todos os públicos de todas as idades, com entrada gratuita.
Confira a programação completa e todas as informações sobre o Festival dos Oceanos em: http://www.festivaldosoceanos.com

Uma lição de portuguesismo

Torre dos Clérigos - Fotografia: Miguel Carvalho Dias

*Por Maria do Céu Carvalho Dias

O Porto é a segunda maior cidade portuguesa, localiza-se no NW de Portugal e é banhada pelo Rio Douro. O orgulho dos portuenses prende-se com a formação de Portugal e a origem do nome “Portugal”. A primeira referência escrita a uma povoação nas margens do Rio Douro – Cale – data pelo menos do século V (época romana). Poderá ter havido na outra margem um local de portagem, Portus e as duas zonas originaram Portucale; com os Suevos e os Visigodos (povos invasores germânicos), Portucale, entretanto Porto, foi sede de bispado e situava-se, claro, na foz do Douro. Entretanto Portucale já não é só a cidade, mas um território, então Portugal, governado pelo Conde D. Henrique, a quem nos referimos, a propósito de Guimarães.

O brasão e a bandeira do Porto apresentam Nossa Senhora, desde estes tempos protectora da cidade e por baixo, em listel branco, as palavras:”Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto” Porquê Invicta? Este título, único nas cidades portuguesas, foi dado ao Porto depois da bravura com que os seus habitantes defenderam a cidade durante o Cerco do Porto, na Guerra Civil de 1832-34. Esta guerra foi entre liberais chefiados por D. Pedro IV (1º Imperador do Brasil) e miguelistas, partidários de D. Miguel, irmão de D. Pedro. Os liberais saem vitoriosos, D. Pedro morre em 1834 no Palácio de Queluz (Lisboa), não sem antes ter oferecido o seu coração à cidade do Porto pelo contributo desta à causa liberal. Por outro lado, D. Miguel é obrigado, pela Convenção de Évora-Monte, a deixar Portugal. Foi um período muito conturbado, mas nesta altura fica D. Maria II, filha de D. Pedro e que nascera e vivera no Brasil no princípio do século XIX, aquando da ida da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, a governar Portugal. É esta rainha que ratifica por decreto todos estes títulos.

Muito antes destes acontecimentos, no século XIV, casou nesta cidade D. João I com a nobre inglesa D. Filipa de Lencastre, nasceu um filho – o Infante D. Henrique - um dos impulsionadores da Expansão portuguesa. E é alguns anos depois, nas vésperas da Conquista de Ceuta (1415), que o Porto colaborou na organização daquela expedição, com dezenas de barcos e respectiva tripulação; mas foi ainda mais longe abastecendo a armada de carne limpa, ficando os habitantes com as tripas para si. Passaram a confeccionar com elas um prato muito saboroso ”Tripas à moda do Porto” e a designarem-se de tripeiros, alcunha mais honrosa que pejorativa. Como parêntesis curioso, direi que os lisboetas são conhecidos popularmente como alfacinhas, talvez porque desde o século XII há escritos que referem as encostas de Lisboa como muito férteis de produtos frutícolas e hortícolas; decerto com alfaces, palavra provavelmente de origem árabe e até trazida por eles para a Península no século VIII. Sobre gastronomia ainda vale a pena referir outros pratos, como o Bacalhau à Gomes Sá que retira o seu nome de um comerciante de bacalhau, da cidade do Porto. Muito famoso recentemente é a Francesinha, cuja origem vem, talvez, das Invasões Francesas, pois os soldados invasores faziam sandes com todo o tipo de carnes que tinham à mão, cobertas de queijo, às quais os portugueses acrescentaram um delicioso molho.

Quando se escreve sobre o Porto é impossível esquecer a rivalidade económica, política e hoje essencialmente futebolística que sempre existiu com Lisboa. Portugal nasceu a partir do Norte, quando os reinos cristãos vão expulsando os Árabes para Sul até Faro, no Algarve (1253). Lisboa só mais tarde é capital do Reino, já que fica mais central. Lembremo-nos da razão da construção de Brasília em 1960, ou de Madrid no século XVI. Os portuenses muitas vezes se sentiram marginalizados pelo poder central, sobretudo durante o salazarismo (Estado Novo). A luta Norte/Sul, hoje, é ainda visível no campo futebolístico (o Porto tem o clube mais antigo de Portugal), entre os adeptos do Futebol Clube do Porto e os do Benfica ou Sporting, clubes de Lisboa, ou seja entre Tripeiros (do Porto) e Mouros (de Lisboa).

No Porto não deixe de visitar a Zona antiga (medieval), a barroca, cujo ex-libris é a Torre dos Clérigos, do arquitecto italiano Nasoni, e, claro, a Bolsa, a Casa da Música, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, com o seu agradável parque (um verdadeiro museu de flora) e se apreciar arte moderna, o Museu Soares dos Reis. É amante do vinho do Porto? Então visite também as Caves do vinho do Porto que se situam na margem esquerda do rio Douro, em Vila Nova de Gaia.

Termino, recordando o meu professor de “Cultura Portuguesa” Vitorino Nemésio, escritor português do século XX: “ Uma ida ao Porto é sempre uma lição de portuguesismo, tanto mais rica quanto mais raramente lá se vai. É indispensável – claro! - um mínimo de contacto reiterado com esse lar da nação para nele vermos algumas das significações latentes que enriquecem a nossa consciência de pátria”
Fontes: “História de Portugal” de A. H. de Oliveira Marques; Dicionário de História de Portugal e Publicações sobre o Porto.

* Maria do Céu Carvalho Dias é formada em História pela Universidade Clássica de Lisboa

Pernambuco na Copa de 2014

Este vídeo foi produzido pelo Ministério do Turismo do Brasil para divulgar as belezas e os encantos de Pernambuco cuja capital, Recife, será uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.

A sugestão para postar o vídeo no blog foi enviada por Assir da Silva. Pernambucano, natural de Sertânia, cresceu no Recife até emigrar para Chicago (Estados Unidos), há mais de 40 anos. Na terra do Tio Sam, ele estudou na Universidade de Illinois, fez carreira em administração de empresa de geração de energia nuclear, constituiu familia e finalmente se aposentou em Michigan em 2007. Leitor do blog, Assir viaja sempre para o Brasil para rever a família e quando quer fugir do frio no rigoroso inverno americano.